Vivendo a crise italiana: o lado da moeda que o turista não vê
O lado da moeda que o turista não vê são os problemas sociais que a crise nos últimos cinco anos continua provocando em solo italiano. Com a crise atual, o governo precisou de grandes ajudas financeiras de instituições internacionais (o FMI, principalmente) e do banco central da UE, que cobram contrapartidas do país, como controles fiscais mais rigorosos, a diminuição dos investimentos do governo em várias áreas, arrocho salarial e o aumento da contribuição e da idade para aposentadorias. Com essas medidas causam um grande impacto da vida da população, problemas que são camuflados pelas lindas paisagens, esculturas e patrimônios com grandes histórias que encantam até hoje os turistas.
A vida cotidiana da população em cidades pequenas é de extrema tranquilidade, todos têm direito a uma saúde de qualidade, acesso a quase todos os produtos de qualidade e com os preços acessíveis a todos, mas a energia, gás, água e gasolina subiram muito nos últimos meses, encarecendo o custo de vida.
Mas dados do Instituto de Estatística da Itália (ISTAT), mostra que um total de 5.394.068 famílias italianas, uma em cada cinco no país, admite ter dificuldades para se manter até o final do mês.
O Istat tornou públicos esses dados com a apresentação do relatório anual sobre a situação do país em 2008, que revela também que cerca de dois milhões e meio de famílias sofreram dificuldades relativamente graves, já que a renda não permite economizar não contando com recursos para enfrentar imprevistos. O organismo disse que a Itália é um dos países europeus “com maior difusão de situações de renda relativamente baixa” e precisou que conjunturas similares aparecem em Espanha, Grécia, Romênia e Reino Unido.
A maioria das famílias não pôde enfrentar em alguma ocasião o pagamento das faturas ou o custo de compras. As regiões italianas mais vulneráveis são as do sul, lideradas pela Sicília e a Calábria. Em relação ao mercado de trabalho, o Istat assinalou que as condições na Itália “pioram por causa da crise atual”.
Em 2008, o número de desempregados aumentou em 186 mil pessoas, enquanto o de ocupados, 183 mil. Trata-se da primeira vez, desde 1995, em que o aumento de desocupados superou o de novos trabalhadores.
A Itália está entre os países mais afetados pela atual crise da dívida, obteve os piores resultados da zona do euro em um ranking global de corrupção divulgado pela ONG Transparência Internacional. Ficou na 69ª posição, composta por 183 países. O índice mede a percepção dos níveis de corrupção no setor público dos países, com base em levantamentos feitos por institutos independentes. Essas pesquisas medem questões relativas ao ambiente de negócios, à corrupção de servidores, propinas em contratos públicos, desvio de recursos e a eficácia de medidas anticorrupção.
A entidade, sediada em Berlim, afirma que os italianos mostraram "incapacidade para lidar com a corrupção e a evasão fiscal". Os países da zona do euro que passaram por crises de dívida, em parte porque as autoridades falharam em enfrentar o suborno e a evasão fiscal que são os principais impulsionadores da crise, estão entre os piores desempenhos dos países da União Europeia [no ranking]", disse o grupo no relatório.
O mergulho da Europa na crise expôs o fracasso de governos endividados em aumentar a receita e evitar duras medidas de austeridade, levando à queda de alguns governos. O premiê italiano Silvio Berlusconi perdeu seu cargo.
Em relatório, a OCDE solicitou ao novo governo na Itália, comandado pelo primeiro-ministro Mario Monti, para que aplique plenamente “as medidas de emergência preparadas pelo governo anterior para atingir o equilíbrio das contas públicas até 2013, colocando em prática reformas estruturais importantes para fortalecer o crescimento econômico”.
Anteriormente, a OCDE estimava que o PIB da Itália fosse crescer 1,6% em 2012. Contudo, diante da crise de dívida pública e dos problemas que afetaram diversas economias na Europa, a projeção caiu para um crescimento negativo de 1,6%%. (Fonte Estadão de São Paulo).
“O ajuste no orçamento, combinado com uma desaceleração na demanda global e com uma competitividade menor, pesará sobre o crescimento no curto prazo, mas é necessário para assegurar progressos na sustentabilidade orçamentária”, destacou a OCDE.
O país terá um grande problema para se recuperar dessa crise porque a massa trabalhadora, para alavancar essa economia, está em falta, já que a população tem um grande número de idosos, que dependem da aposentadoria para sobreviverem. E nesse ano o governo italiano, aprovou algumas medidas de ajudas para os estrangeiros legais ou ilegais residentes no país, para retornarem aos seus respectivos países, o que diminuirá ainda mais a massa trabalhadora do país.
Qual será o futuro da Itália nos anos seguintes?
Bruno Stival é o nosso correspondente europeu e vive a crise da Itália.

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