sábado, 21 de janeiro de 2012

Vivendo a crise italiana

Vivendo a crise italiana: lado da moeda que o turista não vê



O lado da moeda que o turista não vê são os problemas sociais que a crise nos últimos cinco anos continua provocando em solo italiano. Com a crise atual, o governo precisou de grandes ajudas financeiras de instituições internacionais (o FMI, principalmente) e do banco central da UE, que cobram contrapartidas do país, como controles fiscais mais rigorosos, a diminuição dos investimentos do governo em várias áreas, arrocho salarial e o aumento da contribuição e da idade para aposentadorias. Com essas medidas causam um grande impacto da vida da população, problemas que são camuflados pelas lindas paisagens, esculturas e patrimônios com grandes histórias que encantam até hoje os turistas.
A vida cotidiana da população em cidades pequenas é de extrema tranquilidade, todos têm direito a uma saúde de qualidade, acesso a quase todos os produtos de qualidade e com os preços acessíveis a todos, mas a energia, gás, água e gasolina subiram muito nos últimos meses, encarecendo o custo de vida. 
Mas dados do Instituto de Estatística da Itália (ISTAT), mostra que um total de 5.394.068 famílias italianas, uma em cada cinco no país, admite ter dificuldades para se manter até o final do mês.
O Istat tornou públicos esses dados com a apresentação do relatório anual sobre a situação do país em 2008, que revela também que cerca de dois milhões e meio de famílias sofreram dificuldades relativamente graves, já que a renda não permite economizar não contando com recursos para enfrentar imprevistos. O organismo disse que a Itália é um dos países europeus “com maior difusão de situações de renda relativamente baixa” e precisou que conjunturas similares aparecem em Espanha, Grécia, Romênia e Reino Unido.
A maioria das famílias não pôde enfrentar em alguma ocasião o pagamento das faturas ou o custo de compras. As regiões italianas mais vulneráveis são as do sul, lideradas pela Sicília e a Calábria. Em relação ao mercado de trabalho, o Istat assinalou que as condições na Itália “pioram por causa da crise atual”.
Em 2008, o número de desempregados aumentou em 186 mil pessoas, enquanto o de ocupados, 183 mil. Trata-se da primeira vez, desde 1995, em que o aumento de desocupados superou o de novos trabalhadores.
A Itália está entre os países mais afetados pela atual crise da dívida, obteve os piores resultados da zona do euro em um ranking global de corrupção divulgado pela ONG Transparência Internacional. Ficou na 69ª posição, composta por 183 países. O índice mede a percepção dos níveis de corrupção no setor público dos países, com base em levantamentos feitos por institutos independentes. Essas pesquisas medem questões relativas ao ambiente de negócios, à corrupção de servidores, propinas em contratos públicos, desvio de recursos e a eficácia de medidas anticorrupção.
A entidade, sediada em Berlim, afirma que os italianos mostraram "incapacidade para lidar com a corrupção e a evasão fiscal". Os países da zona do euro que passaram por crises de dívida, em parte porque as autoridades falharam em enfrentar o suborno e a evasão fiscal que são os principais impulsionadores da crise, estão entre os piores desempenhos dos países da União Europeia [no ranking]", disse o grupo no relatório.
O mergulho da Europa na crise expôs o fracasso de governos endividados em aumentar a receita e evitar duras medidas de austeridade, levando à queda de alguns governos. O premiê italiano Silvio Berlusconi perdeu seu cargo.
Em relatório, a OCDE solicitou ao novo governo na Itália, comandado pelo primeiro-ministro Mario Monti, para que aplique plenamente “as medidas de emergência preparadas pelo governo anterior para atingir o equilíbrio das contas públicas até 2013, colocando em prática reformas estruturais importantes para fortalecer o crescimento econômico”.
Anteriormente, a OCDE estimava que o PIB da Itália fosse crescer 1,6% em 2012. Contudo, diante da crise de dívida pública e dos problemas que afetaram diversas economias na Europa, a projeção caiu para um crescimento negativo de 1,6%%. (Fonte Estadão de São Paulo).
“O ajuste no orçamento, combinado com uma desaceleração na demanda global e com uma competitividade menor, pesará sobre o crescimento no curto prazo, mas é necessário para assegurar progressos na sustentabilidade orçamentária”, destacou a OCDE.
O país terá um grande problema para se recuperar dessa crise porque a massa trabalhadora, para alavancar essa economia, está em falta, já que a população tem um grande número de idosos, que dependem da aposentadoria para sobreviverem. E nesse ano o governo italiano, aprovou algumas medidas de ajudas para os estrangeiros legais ou ilegais residentes no país, para retornarem aos seus respectivos países, o que diminuirá ainda mais a massa trabalhadora do país.
Qual será o futuro da Itália nos anos seguintes?


Bruno Stival é o nosso correspondente europeu e vive a crise da Itália.

Parceria Política Translated

    A nova coluna do Blog Órbita: POLÍTICA TRANSLATED é uma parceria com o Blog Política Translated do Victor Brito.
   O link para visita no blog dele é o seguinte: http://politicatranslated.wordpress.com
   Ambos os blogs parceiros são projetos novos, estamos começando com muita vontade.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Nova Coluna: Política Translated

  A coluna POLÍTICA TRANSLATED traduz para você as notícias dos jornais pelo mundo. A tradução é por conta do Victor Gustavo Gonçalves de Brito.



O próximo colapso da China: 2012

Em meados de 2001, eu previ em meu livro,  “The Coming Collapse of China” (O Próximo Colapso da China em tradução livre e literal), que o partido comunista perderia o poder em uma década, em grande medida em razão das mudanças que a adesão à Organização Mundial do Comércio  (OMC) poderia causar. Uma década se passou; O Partido Comunista está ainda em poder. Mas acho que não vou retirar minha previsão.
Por que a China que nós conhecemos tem sobrevivido? Em primeiro lugar, o governo central Chinês tem conseguido evitar a adesão de muitas das suas obrigações feitas quando ela aderiu à OMC em 2001 para abrir sua economia e jogar a partir das regras, e a comunidade internacional manteve uma atitude geralmente tolerante em relação a este comportamento não complacente. Como resultado, Pequim tem sido capaz de proteger grande parte de seu mercado doméstico de concorrentes estrangeiros, enquanto aumenta suas exportações.
Sem medida, a China tem sido um sucesso fenomenal no desenvolvimento de sua economia após a adesão à OMC – voltando para o crescimento de quase dois dígitos que tinha beneficiado o país antes da quase-recessão sofrida no fim dos anos 1990. Muitos analistas supõem que essa tendência de crescimento pode continuar indefinidamente.
 Por exemplo, Justin Yifu Lin, economista chefe do Banco Mundial, acredita que o país pode crescer por pelo menos mais duas décadas em 8 por cento, e  o Fundo Monetário Internacional prevê que a economia da China irá superar a americana em tamanho até 2016.
Não acredite em nada disso. A China superou outros países em um superciclo (Superciclo é o período de maior duração, ou onda, no crescimento do mercado financeiro) de três décadas para cima, principalmente por três razões. Primeiro, houve uma política transformacional de “reforma e abertura” de Den Xiapoing, implementada pela primeira vez no final dos anos 1970. Segundo, a era de mudança de Deng coincidiu com o fim da Guerra Fria, o que provocou a eliminação de barreiras políticas ao comércio internacional. Em terceiro lugar, tudo isso ocorreu enquanto a China estava se beneficiando de seu “dividendo demográfico”, um inchaço extraordinário na força de trabalho.
No entanto, o lugar privilegiado da China está terminado porque, nos últimos anos, as condições que o criou ou desapareceram ou irão em breve. Em primeiro lugar, o Partido Comunista virou as costas em relação às políticas progressistas de Deng. Hu Jintao, o atual líder, está governando em um era marcada por, no balanço geral, uma reversão da reforma. Tem havido, especialmente desde 2008, uma nova estatização parcial da economia e um estreitamento acentuado de oportunidades para os negócios estrangeiros.  Por exemplo, Pequim bloqueou aquisições por estrangeiros, erguendo novas barreiras como  as regras de “inovação nacionalista” , e perseguindo empresas líderes de mercado como o Google. Fortalecendo empresas estatais consideradas “campeões nacionais” em detrimento de outras, o presidente Hu tem abandonado o padrão econômico que fez o seu país ter sucesso.
Em segundo lugar o crescimento global das últimas duas décadas terminou em 2008 quando os mercados em todo o mundo quebraram. Os eventos tumultuosos daquele ano trouxeram ao fim um raro período benigno durante o qual os países tentaram integrar a China para dentro do sistema internacional e, portanto, toleraram suas políticas mercantilistas. Agora, no entanto, cada nação quer exportar mais e, em uma era de protecionismo ou de controle de comércio, a China não será capaz de exportar seu caminho para a prosperidade como ela o fez durante a crise financeira asiática no final de 1990. A China está mais dependente do comércio internacional do que qualquer outra nação, então atritos comerciais – ou até mesmo queda na demanda global – irá doer na China mais do quem em outras nações. O país, no caso, poderia ser a maior vítima da crise da zona do euro.
 Em terceiro lugar, a China, que durante sua época de reforma teve um dos melhores perfis demográficos de qualquer nação, em breve terá um dos piores. A força de trabalho chinesa irá se estabilizar por volta de 2013, talvez em 2014, de acordo com os demógrafos chineses e estrangeiros, mas o efeito já se faz sentir, à medida que os salários aumentam, uma tendência que acabará por tornar as fábricas do país pouco competitivas.  A China, curiosamente, está ficando sem pessoas que se deslocam para as cidades para trabalhar nas fábricas, e potencializar sua economia. Demografia pode não ser o destino, mas vai agora criar altas barreiras para o crescimento.
Ao mesmo tempo que a economia da China não mais se beneficia dessas três condições favoráveis, ela deve se recuperar dos problemas que vieram das deslocações – bolhas de ativos e inflação – causada pela injeção excessiva de empreendimentos feitos pelo governo chinês para estimular a economia, como gastar dinheiro no setor comercial, corte de taxas, ou reduzindo valores de interesse; em 2008 e 2009, o maior programa de estímulo econômico na história mundial ( incluindo uma soma de mais de  1 trilhão de dólares , somente em 2009).  Desde o final de setembro,  os indicadores econômicos – consumo de eletricidade, as encomendas à indústria, o crescimento das exportações, as vendas de carros, os preços dos imóveis, etc. – estão apontando para uma linha reta, sem crescimento, ou para uma economia em contração. O dinheiro começou a deixar o país em outubro, e as reservas externas de Pequim tem diminuído desde Setembro.
Como resultado, nós iremos testemunhar ou uma quebra ou, mais provavelmente, um declínio de várias décadas similar ao Japonês. De qualquer forma, problemas econômicos estão ocorrendo na mesma medida em que a sociedade chinesa fica cada vez mais impaciente. Não é apenas que os protestos aumentaram – foram 280 mil “incidentes em massa” no ano passado, de acordo com uma contagem – mas que eles estão cada vez mais violentos conforme a recente onda de revoltas, rebeliões, tumultos e atentados. O Partido Comunista, incapaz de mediar o descontentamento social, escolheu intensificar a repressão em níveis não vistos em duas décadas. As autoridades têm, neste caso, coberto as cidades do interior e vilas com policiais e tropas armadas e intensificou o monitoramento de praticamente todas as formas de comunicação e a mídia. Não é de se admirar que, em pesquisas online, “controle” e “restringir” foram votadas como as palavras mais populares do país para 2011.
Essa dura abordagem manteve o regime seguro até agora, mas a estabilidade que ele cria pode ser apenas de curto prazo na sociedade cada vez mais modernizada da China, onde a maioria das pessoas parecem acreditar que um Estado de partido único não é o mais apropriado. O regime tem perdido claramente a batalha das idéias.
Hoje, a mudança social na China está se acelerando. O problema para o partido governante do país é que, embora o povo chinês geralmente não tem intenções revolucionárias, os seus atos de ruptura social podem ter implicações revolucionárias, porque eles estão ocorrendo em um momento extremamente sensível. Em suma, a China é demasiadamente dinâmica e volátil para que os líderes do Partido Comunista possam perseverar. Em algum lugar no ano que vem, seja em uma pequena vila ou em uma grande cidade, um incidente irá ficar fora de controle e irá se espalhar rapidamente. Porque as pessoas por todo o país compartilham os mesmos pensamentos, nós não devemos ficar surpresos, pois eles agirão da mesma forma. Nós já vimos o povo chineses agir em uníssono: Em junho de 1989, bem antes do advento dos meios de comunicação social, houve protestos em aproximadamente 370 cidades em toda a China, sem líderes nacionais.
Esse fenômeno, que tem arrasado o Norte da África e o Oriente Médio este ano, nos diz que a natureza da transformação política ao redor do mundo está a mudar a si própria, desestabilizando até mesmo os governos que parecem ser o mais seguros e autoritários. A China não é de forma alguma imune a esta onda de revolta popular, conforme a reação exagerada de Pequim em relação aos chamados protestos de “Jasmine” que essa primavera indica. O Partido Comunista, uma vez o beneficiário das tendências globais, é agora a vítima delas.
Então, a China irá sofrer um colapso? Governos fracos podem permanecer no lugar por um longo tempo. Cientistas políticos, que gostam de trazer ordem para o inexplicável, dizem que uma série de fatores são necessários para o colapso de um regime e que na China faltam os dois mais importantes: um governo dividido e uma forte oposição.
Numa época em que os desafios cruciais se acumulam, o Partido Comunista está começando uma transição política de muitos anos e, portanto, estão mal preparados para os problemas que enfrenta. Já são visíveis divisões entre as elites do Partido, e a resposta lenta da liderança nos últimos meses – em contraste marcante com sua ultra-rápida reação em 2008 para os problemas econômicos no exterior – indica que o processo de tomada de decisão em Pequim está se deteriorando. Portanto, preencha o fator “governo divido”.
E sobre a existência de uma oposição, a União Soviética caiu sem precisar de uma. Em nossa era substancialmente mais volátil, o governo chinês poderia se dissolver como as autocracias na Tunísia e Egito. Como é evidente na revoltada declarada desse mês na vila de Wukan na província de Guangdong, o povo pode se organizar rapidamente – conforme eles tem feito muitas vezes desde o fim dos anos 1980. Em qualquer caso, uma máquina bem lubrificada não é mais necessária para derrubar um regime, nesta era de revolução sem líderes.
Não muito tempo atrás, tudo estava indo bem para os mandarins de Pequim. Agora, nada mais. Então, sim, minha previsão estava errada. Ao em vez de 2011, o poderoso Partido Comunista da China irá cair em 2012. Aposte nisto.


TEXTO: GORDON G. CHANG



O texto foi traduzido do seguinte link:

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

DA DEMOCRATIZAÇÃO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Texto escrito em novembro de 2011.

Existe uma crença no sentido de que as relações internacionais estão se democratizando, que o rol de países que passam a se integrar a sociedade internacional (no estilo da Escola Inglesa) está gradativamente sendo ampliado e que com o passar do tempo os mecanismos de posicionamento são cada vez mais fortes e incisivos. Ou seja, a crença de que o passar do tempo leva a universalização de participação na decisão nas relações internacionais. Tal idéia crê que com o avanço das tecnologias e abertura de uma multiplicidade de fóruns multilaterais tornam as relações internacionais mais democráticas, pois permitem o ingresso gradativo e constante das nações a essas instancias, estando assim na condição de influir nas decisões mundiais.
A realidade se mostra um pouco mais hard que o ideal. As nações ainda têm de lidar com a estratificação do poder de decisão de fato no âmbito internacional. Entre tantas fórmulas os teóricos convergem na busca que as nações se movem no sentido de fortalecer, ampliar, alterar ou reverter o status quo. Posição no sistema internacional parece estar intimamente ligado a poder de decisão.
Prestes a acontecer mais uma cúpula do G 20 financeiro, dessa vez em Cannes na França, a Casa Branca informou que antes do certame promoverá reuniões privadas bilaterais entre Obama e os presidentes europeus Sarkosy e Merkel. A reunião pode ter por fim, indicaram muitos dos analistas, ritmar as posições das três nações.
De acordo com a crença da onda de universalização da tomada de decisão no âmbito mundial esse pequeno encontro dos três países é uma afronta aos ideais democráticos da expansão do poder para todos.
Em termos do G 20, temos três países que se reúnem para traçar estratégias unificadas. Sendo essas medidas chanceladas no encontro seu efeito equivale para cerca de 90% do PIB mundial. Por tudo isso não se pode atestar a veracidade da ampliação do poder de decisão no sistema mundial.
Sabemos que o imperativo é a anarquia internacional, que mesmo fora da conotação realista indica a falta de um poder central e superior ao dos entes estatais. Não tendo um poder maior, todos os estados concorrem em idéias e poder. A isonomia de poder não é, nem nunca foi um princípio das principais correntes da Teoria das Relações Internacionais, e o mesmo também não se percebe na realidade. Não se observa esse impulso de maior escala de participação estatal na decisão e na implantação das medidas aprovadas no plano internacional.
Há alguns dias a ONU foi evasiva no pedido palestino de ingresso como membro estatal permanente na organização. O conflito árabe-israelense e o processo de paz tem encontrado grandes entraves na negociação, decisão e de efetivação dentro da maior organização política multilateral universal de que temos notícia. Prova de que o multilateralismo por si mesmo não é capaz de gerir o sistema internacional.
A própria Liga das Nações é fiel reflexo dessa situação: não foi possível a instrumentalização da entidade e de sua efetividade. A falta dos Estados Unidos foi maior que a presença de outros inúmeros países. A possibilidade de uso real da força se mostrou extremamente necessária visto que a falta de poder da organização e sua incapacidade de conter a escalada da agressividade lhe deu um tom de nulidade.
Contudo, a tese da democratização das relações internacionais se propagou no pós segunda guerra mundial quando da criação da ONU e teve imenso fôlego pós queda do muro de Berlim. O fim da bipolaridade encaminhou outro debate aos ambientes acadêmicos e midiáticos: o mundo seria a partir de então unipolar ou multipolar? A tese do mundo multipolar pareceu mais adequada, e mesmo real, aos anseios da comunidade internacional, das nações em desenvolvimento e das nações em processos de independência na África e na Ásia.
Dessa vez, na ONU, a sociedade internacional contaria com o poder militar e econômico da nação mais poderosa e com o mecanismo da democracia da Assembléia Geral, porém conviveria também com os mecanismos truncados do restrito Conselho de Segurança. O multilateralismo se fazia presente da mesma maneira que a tomada de decisão pelos detentores de poder efetivo, ou seja, possibilidade de uso real da força militar e nuclear.
Na questão palestina, outra vez, a ONU não fez aplicar suas decisões quanto as disputas territoriais nem ao reconhecimento da Palestina como estado. Coube a UNESCO o papel de reconhecer a Palestina como Estado, uma vez que a ONU não cumpriu sua prerrogativa. Nesse mesmo momento retaliações a essa decisão já foram elaboradas e anunciadas. Os EUA congelaram o repasse a UNESCO e Israel assegurou o congelamento de repasse de recursos financeiros a Autoridade Nacional Palestina e a construção de mais colônias de judeus em assentamentos palestinos.
São evidentes os avanços e a democratização das relações internacionais passando do sistema europeu ao sistema mundial, a criação de um fórum político universal, a inclusão de muitas das nações da África e da Ásia. Assim como representam ampliações do G7 para G8 ou G7+1 e depois para G20, alternativas bem melhores que as anteriores, principalmente a da triangulação do poder entre EUA, União Européia e Japão.
Sim, as relações internacionais passam por momentos de democratização, mas este não é um desses momentos. O G 20 foi um imperativo, não uma possibilidade de democratização.  O agregado incorporou novos pólos de poder, mesmo que menores, a sua estrutura, mas não abriu à universalização do ingresso voluntário. Em momentos de crise internacional sejam financeira, econômica ou militar as pequenas nações detentoras de poder residual não têm a capacidade de estancar a situação ou de influir em sua resolução.
Uma maior participação nas decisões e ações coletivas mundiais ainda depende invariavelmente de incremento de poder por parte dos países desejosos de adentrar para o clube dos grandes, participando das decisões de escala planetária, mas também arcando com os custos desse propósito.
O evidente salta aos olhos: a medida do multilateralismo não é a mesma do esquema multipolar. Uma e outra podem ser estratégias complementares nas relações internacionais, entretanto não se confundem.

Tauã Carvalho de Assis

Texto já publicado em novembro nas seguintes páginas:
http://www.paginainternacional.com.br/2011/11/post-do-leitor-taua-carvalho.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+paginainternacional+%28P%C3%A1gina+Internacional%29
http://politicainternacional.blog.com/2011/11/04/da-democratizacao-das-relacoes-internacionais/

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Retrospectiva 2011

Retrospectiva do Cenário Internacional em 2011 pelo Estadão.


http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/destaques-internacionais-2011.aspx

Vale a pena conferir os principais fatos internacionais de 2011.