quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Nova Coluna: Política Translated

  A coluna POLÍTICA TRANSLATED traduz para você as notícias dos jornais pelo mundo. A tradução é por conta do Victor Gustavo Gonçalves de Brito.



O próximo colapso da China: 2012

Em meados de 2001, eu previ em meu livro,  “The Coming Collapse of China” (O Próximo Colapso da China em tradução livre e literal), que o partido comunista perderia o poder em uma década, em grande medida em razão das mudanças que a adesão à Organização Mundial do Comércio  (OMC) poderia causar. Uma década se passou; O Partido Comunista está ainda em poder. Mas acho que não vou retirar minha previsão.
Por que a China que nós conhecemos tem sobrevivido? Em primeiro lugar, o governo central Chinês tem conseguido evitar a adesão de muitas das suas obrigações feitas quando ela aderiu à OMC em 2001 para abrir sua economia e jogar a partir das regras, e a comunidade internacional manteve uma atitude geralmente tolerante em relação a este comportamento não complacente. Como resultado, Pequim tem sido capaz de proteger grande parte de seu mercado doméstico de concorrentes estrangeiros, enquanto aumenta suas exportações.
Sem medida, a China tem sido um sucesso fenomenal no desenvolvimento de sua economia após a adesão à OMC – voltando para o crescimento de quase dois dígitos que tinha beneficiado o país antes da quase-recessão sofrida no fim dos anos 1990. Muitos analistas supõem que essa tendência de crescimento pode continuar indefinidamente.
 Por exemplo, Justin Yifu Lin, economista chefe do Banco Mundial, acredita que o país pode crescer por pelo menos mais duas décadas em 8 por cento, e  o Fundo Monetário Internacional prevê que a economia da China irá superar a americana em tamanho até 2016.
Não acredite em nada disso. A China superou outros países em um superciclo (Superciclo é o período de maior duração, ou onda, no crescimento do mercado financeiro) de três décadas para cima, principalmente por três razões. Primeiro, houve uma política transformacional de “reforma e abertura” de Den Xiapoing, implementada pela primeira vez no final dos anos 1970. Segundo, a era de mudança de Deng coincidiu com o fim da Guerra Fria, o que provocou a eliminação de barreiras políticas ao comércio internacional. Em terceiro lugar, tudo isso ocorreu enquanto a China estava se beneficiando de seu “dividendo demográfico”, um inchaço extraordinário na força de trabalho.
No entanto, o lugar privilegiado da China está terminado porque, nos últimos anos, as condições que o criou ou desapareceram ou irão em breve. Em primeiro lugar, o Partido Comunista virou as costas em relação às políticas progressistas de Deng. Hu Jintao, o atual líder, está governando em um era marcada por, no balanço geral, uma reversão da reforma. Tem havido, especialmente desde 2008, uma nova estatização parcial da economia e um estreitamento acentuado de oportunidades para os negócios estrangeiros.  Por exemplo, Pequim bloqueou aquisições por estrangeiros, erguendo novas barreiras como  as regras de “inovação nacionalista” , e perseguindo empresas líderes de mercado como o Google. Fortalecendo empresas estatais consideradas “campeões nacionais” em detrimento de outras, o presidente Hu tem abandonado o padrão econômico que fez o seu país ter sucesso.
Em segundo lugar o crescimento global das últimas duas décadas terminou em 2008 quando os mercados em todo o mundo quebraram. Os eventos tumultuosos daquele ano trouxeram ao fim um raro período benigno durante o qual os países tentaram integrar a China para dentro do sistema internacional e, portanto, toleraram suas políticas mercantilistas. Agora, no entanto, cada nação quer exportar mais e, em uma era de protecionismo ou de controle de comércio, a China não será capaz de exportar seu caminho para a prosperidade como ela o fez durante a crise financeira asiática no final de 1990. A China está mais dependente do comércio internacional do que qualquer outra nação, então atritos comerciais – ou até mesmo queda na demanda global – irá doer na China mais do quem em outras nações. O país, no caso, poderia ser a maior vítima da crise da zona do euro.
 Em terceiro lugar, a China, que durante sua época de reforma teve um dos melhores perfis demográficos de qualquer nação, em breve terá um dos piores. A força de trabalho chinesa irá se estabilizar por volta de 2013, talvez em 2014, de acordo com os demógrafos chineses e estrangeiros, mas o efeito já se faz sentir, à medida que os salários aumentam, uma tendência que acabará por tornar as fábricas do país pouco competitivas.  A China, curiosamente, está ficando sem pessoas que se deslocam para as cidades para trabalhar nas fábricas, e potencializar sua economia. Demografia pode não ser o destino, mas vai agora criar altas barreiras para o crescimento.
Ao mesmo tempo que a economia da China não mais se beneficia dessas três condições favoráveis, ela deve se recuperar dos problemas que vieram das deslocações – bolhas de ativos e inflação – causada pela injeção excessiva de empreendimentos feitos pelo governo chinês para estimular a economia, como gastar dinheiro no setor comercial, corte de taxas, ou reduzindo valores de interesse; em 2008 e 2009, o maior programa de estímulo econômico na história mundial ( incluindo uma soma de mais de  1 trilhão de dólares , somente em 2009).  Desde o final de setembro,  os indicadores econômicos – consumo de eletricidade, as encomendas à indústria, o crescimento das exportações, as vendas de carros, os preços dos imóveis, etc. – estão apontando para uma linha reta, sem crescimento, ou para uma economia em contração. O dinheiro começou a deixar o país em outubro, e as reservas externas de Pequim tem diminuído desde Setembro.
Como resultado, nós iremos testemunhar ou uma quebra ou, mais provavelmente, um declínio de várias décadas similar ao Japonês. De qualquer forma, problemas econômicos estão ocorrendo na mesma medida em que a sociedade chinesa fica cada vez mais impaciente. Não é apenas que os protestos aumentaram – foram 280 mil “incidentes em massa” no ano passado, de acordo com uma contagem – mas que eles estão cada vez mais violentos conforme a recente onda de revoltas, rebeliões, tumultos e atentados. O Partido Comunista, incapaz de mediar o descontentamento social, escolheu intensificar a repressão em níveis não vistos em duas décadas. As autoridades têm, neste caso, coberto as cidades do interior e vilas com policiais e tropas armadas e intensificou o monitoramento de praticamente todas as formas de comunicação e a mídia. Não é de se admirar que, em pesquisas online, “controle” e “restringir” foram votadas como as palavras mais populares do país para 2011.
Essa dura abordagem manteve o regime seguro até agora, mas a estabilidade que ele cria pode ser apenas de curto prazo na sociedade cada vez mais modernizada da China, onde a maioria das pessoas parecem acreditar que um Estado de partido único não é o mais apropriado. O regime tem perdido claramente a batalha das idéias.
Hoje, a mudança social na China está se acelerando. O problema para o partido governante do país é que, embora o povo chinês geralmente não tem intenções revolucionárias, os seus atos de ruptura social podem ter implicações revolucionárias, porque eles estão ocorrendo em um momento extremamente sensível. Em suma, a China é demasiadamente dinâmica e volátil para que os líderes do Partido Comunista possam perseverar. Em algum lugar no ano que vem, seja em uma pequena vila ou em uma grande cidade, um incidente irá ficar fora de controle e irá se espalhar rapidamente. Porque as pessoas por todo o país compartilham os mesmos pensamentos, nós não devemos ficar surpresos, pois eles agirão da mesma forma. Nós já vimos o povo chineses agir em uníssono: Em junho de 1989, bem antes do advento dos meios de comunicação social, houve protestos em aproximadamente 370 cidades em toda a China, sem líderes nacionais.
Esse fenômeno, que tem arrasado o Norte da África e o Oriente Médio este ano, nos diz que a natureza da transformação política ao redor do mundo está a mudar a si própria, desestabilizando até mesmo os governos que parecem ser o mais seguros e autoritários. A China não é de forma alguma imune a esta onda de revolta popular, conforme a reação exagerada de Pequim em relação aos chamados protestos de “Jasmine” que essa primavera indica. O Partido Comunista, uma vez o beneficiário das tendências globais, é agora a vítima delas.
Então, a China irá sofrer um colapso? Governos fracos podem permanecer no lugar por um longo tempo. Cientistas políticos, que gostam de trazer ordem para o inexplicável, dizem que uma série de fatores são necessários para o colapso de um regime e que na China faltam os dois mais importantes: um governo dividido e uma forte oposição.
Numa época em que os desafios cruciais se acumulam, o Partido Comunista está começando uma transição política de muitos anos e, portanto, estão mal preparados para os problemas que enfrenta. Já são visíveis divisões entre as elites do Partido, e a resposta lenta da liderança nos últimos meses – em contraste marcante com sua ultra-rápida reação em 2008 para os problemas econômicos no exterior – indica que o processo de tomada de decisão em Pequim está se deteriorando. Portanto, preencha o fator “governo divido”.
E sobre a existência de uma oposição, a União Soviética caiu sem precisar de uma. Em nossa era substancialmente mais volátil, o governo chinês poderia se dissolver como as autocracias na Tunísia e Egito. Como é evidente na revoltada declarada desse mês na vila de Wukan na província de Guangdong, o povo pode se organizar rapidamente – conforme eles tem feito muitas vezes desde o fim dos anos 1980. Em qualquer caso, uma máquina bem lubrificada não é mais necessária para derrubar um regime, nesta era de revolução sem líderes.
Não muito tempo atrás, tudo estava indo bem para os mandarins de Pequim. Agora, nada mais. Então, sim, minha previsão estava errada. Ao em vez de 2011, o poderoso Partido Comunista da China irá cair em 2012. Aposte nisto.


TEXTO: GORDON G. CHANG



O texto foi traduzido do seguinte link:

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