Essa semana foi divulgada tardiamente a morte do ditador Kim Jong-Il, dirigente da Coréia do Norte durante 17 anos. Aquele país, agora se preocupa com a sucessão do regime comunista ali instalado.
A Coréia do Norte é considerado o país mais fechado do mundo, e tudo a respeito daquela nação, e da recente morte e sucessão no poder estão ainda envoltos em informações escassas e sob divulgação dos meios de comunicação de governo. O partido agora tem de lidar com uma sucessão, para a qual não existem regras pré-estabelecidas.
Quando recorremos aos livros de história podemos encontrar alguns regimes carismáticos, aqueles que dependem de uma figura, de um ídolo, herói, de uma persona. E nesses tipo de regimes a sucessão não está prevista, nem costuma ser normatizada. Assim, sem normas previstas a sucessão fica a cargo do imperativo da vontade de cada governo.
Temos o exemplo soviético, onde depois da morte de Lênin travou-se uma disputa entre Trótski e Stálin. No caso cubano, Raul substituiu seu irmão com clara ascensão da vontade de Fidel sobre o partido e na questão de quem seria seu sucessor e dirigente de Cuba.
Na Coréia do Norte a substituição parece já estar casada e ao que tudo indica o novo governante será Kim Jong-Un filho de Kim Jong-Il, que por sua vez também herdou o poder de governar de seu pai. O país vem tentando definir sua linha sucessória passando de pai para filho, mas dessa vez o primogênito não herdará o direito ao poder. Todas as notícias veiculadas afirmam ser o terceiro filho o novo dirigente do país e não o primeiro ou o segundo. Mesmo com certa definição sobre sua sucessão a vontade do ex-líder também se fez forte ao legitimar o filho mais novo para o cargo.
Quando um líder fundador ou perpetuador de um regime exótico se vai, perde-se a previsibilidade característica de governantes há muito tempo no cargo. Do novo dirigente, líder, governante será exigido legitimidade tanto para lidar com as questões domésticas quanto a fornecer previsibilidade mesmo que de mudanças à sociedade internacional.
Os regimes que dependem de carisma e/ou de uma figura pessoal sofrem abalos com a perda de seu símbolo, ainda que não momentaneamente esse desfalque é sentido na execução das políticas ou na agremiação da população. A verdade é que nenhum analista é capaz de prever com precisão o que ocorrerá, quais os efeitos de uma troca de líder em um regime exótico/carismático. A troca de governantes nestes casos é altamente imprecisa e pode alcançar inúmeras variáveis: vontade do ex-líder, vontade da cúpula do partido, vontade de um dos candidatos pelo poder, etc.
Não há como prever se a Coréia do Norte continuará fechada ao mundo ou se abrirá para ele, se o filho seguirá os passos do pai ou introduzirá um novo ciclo na história daquela Coréia. Essas questões podem ser formuladas, mas não respondidas de imediato. O país precisa de um novo líder carismático e que aglomere a nação em torno de si e da sua figura.
Tauã Carvalho de Assis
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